Estórias do Mondego

Esta é a estória de um rio e de algumas vidas que ele moldou.

Um rio com sabor a montanha e a sal, que tanto lava as barreias de roupa batida contra as pedras, como é escola a céu aberto de uma juventude irrequieta e pobre, de futuro incerto, errante e sem favorecimentos, entre a serra e a foz. É também caminho, estrada, rota de barqueiros e reserva natural de pescadores. Ali, na Ereira, antes de o rio se fazer mar e onde o poeta local, Afonso Duarte, dizia que "os homens da minha terra passam meio ano a lavourar e outro meio ano ao anzol", ali, terra de arrozais e de lampreia, o Mondego foi sempre uma promessa de vida melhor. Ali e por onde passasse, porque ele era ao mesmo tempo campo, estrada, regadio e pesca — a subsistência de populações inteiras.

João Figueira

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